Suspende reunião da CPI após Flavio Bolsonaro chamar Renan Calheiros de vagabundo
Presidente da CPI já havia alertado antes que reunião seria suspensa devido à sessão do plenário do Senado. Relator foi xingado porque defendeu prisão do depoente Fabio Wajngarten.
Após ser chamado de vagabundo, Renan disse que considerava o xingamento um “elogio” vindo de um parlamentar como Flavio.
“Vagabundo é você, que roubou dinheiro de pessoal no seu gabinete”, afirmou Renan Calheiros, “Você que é”, emendou.
Na sequência, Flávio Bolsonaro disse que Renan quer “aparecer”, usar a CPI como “palanque” e usou um palavrão: “se f…”.
Omar Aziz, então, pediu calma aos senadores. “Estou tentando equilibradamente tentar conduzir as coisas e as agressões entre senadores, isso não vai levar a lugar nenhum”, disse o presidente da CPI.
Antes do bate-boca, Omar Aziz já havia alertado que reunião seria suspensa devido à sessão do plenário do Senado.
Renan Calheiros afirmou que Wajngarten mentiu de forma “descarada”, causando “desrespeito” e “desprestígio” à CPI.
Presidente pede ‘cautela’
Em meio à discussão levantada por Renan sobre uma eventual prisão de Wajngarten, Omar Aziz disse ser preciso ter “muita cautela” para não parecer que a CPI é um tribunal que está “condenando”.
“Não é impondo a prisão de alguém que a CPI vai dar resultado”, destacou. “Se depender de mim, eu não vou mandar prender”, acrescentou, em seguida.
Aziz argumentou ainda que não agiria como “carcereiro”.
Diante disso, Renan argumentou que houve “flagrante” mentira de Wajngarten. Aziz, antes que Renan concluísse a fala, disse que não é “idiota” e que já havia dito aos parlamentares que não mandaria prender o ex-secretário do governo.
“Se este depoente sair daqui ileso diante das mentiras, vamos abrir uma porta, escancarar uma porta que depois vamos ter muita dificuldade para fechar. […] É óbvio que isso vai enfraquecer a comissão”, respondeu Renan, ao se dirigir a Aziz.
“Prisão? Eu não farei isso. Eu não farei isso”, respondeu Aziz.
Renan, então, disse que a CPI não pode deixar que o “espetáculo” volte a acontecer.
“Me entenda, por favor. Quero passar adiante. Essa questão, para mim, está encerrada”, concluiu Aziz.
Wajngarten foi a quinta pessoa a prestar depoimento. Antes dele, já haviam falado à CPI os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich; o atual ministro, Marcelo Queiroga; e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.